quinta-feira, 29 de maio de 2008

Expressões errôneas utilizadas na Odontologia

"A seguir, algumas expressões utilizadas na Odontologia de forma inadequada:
Bruxismo: em Odontologia, costuma-se definir como a ação de ranger os dentes durante o sono. Vem de “bruxomania”, que é uma adaptação irregular do grego brýchein, “ranger os dentes”. O termo mais adequado para o caso seria “frendente” (que frende, que range os dentes).
Limpeza de tártaro: expressão errônea utilizada pelos que praticam a periodontia. Limpar o tártaro de um dente é como se usasse escovas ou instrumentos e limpasse aquele tártaro que estivesse aderido ao dente. Ninguém limpa o tártaro se limpa o dente. O tártaro é removido e a expressão correta é “remoção de tártaro”.
Tratamento: esta é uma palavra que é copiosamente escrita de forma errônea, não só na Odontologia, como em todas as ciências da saúde. No artigo da autora Viviane Freire Martins, o ilustre professor Luiz Soares Vianna recomenda o uso de “tratar a lesão cariosa, tratar a lesão pulpar, tratar a lesão gengival, etc...”. Que me perdoe o renomado professor, mas ninguém trata de doença; trata de paciente com doença. Se uma paciente tem uma lesão pulpar, nós tratamos o paciente com a lesão pulpar, e não a lesão pulpar. O objetivo principal de tudo isso é curar aquele paciente daquela lesão pulpar.
Tratamento Ortodôntico: expressão costumeira usada em Odontologia, particularmente por aqueles que praticam a Ortodontia. A palavra “ortodôntico” jamais deveria vir agregada à tratamento. Tenho certeza que ninguém jamais ouviu a expressão “tratamento radiológico”, no entanto, essa modalidade de submeter o paciente a uma radiografia existe. Tenho certeza que ninguém jamais ouviu a expressão “tratamento anestésico”, todavia, essa modalidade de submeter o paciente à uma anestesia existe. Primeiro devemos levar em conta que “ortodôntico” não é doença e não existe paciente com a doença “ortodôntico”. O mais certo e correto para o caso, seria usar a expressão “procedimento ortodôntico” ou “correção ortodôntica”, em vez de tratamento ortodôntico.Do mesmo modo, as expressões “tratamento dentário”, “tratamento restaurador”, “tratamento cirúrgico”, são usados dentro da Odontologia, o que é errado. Correto seria dizer “procedimento restaurador”, “procedimento cirúrgico”.
Tratamento Preventivo: como se não bastasse, criaram a figura de um “tratamento preventivo”, ou seja, inventaram um tipo de tratamento para uma doença que ainda nem foi instalada. Como é tratar preventivamente um paciente que ainda nem teve a doença? O mais sensato seria usar o termo “medidas preventivas”, “medidas profiláticas” ou “medidas preservativas”, etc...
Bordo Gengival: quem não ouviu falar da expressão “bordo gengival”? A palavra “bordo” está relacionada à linguagem náutica (embarcação, navio, etc... – “a bordo” = dentro da embarcação). Em apenas um caso, “bordo” é usado como margem, que é em Botânica (“bordo foliar” = margem da folha). O certo seria “borda gengival” que corresponderia à extremidade da superfície da gengiva.
ACD – Atendente de Consultório Dentário: não é só uma expressão, é uma profissão (Pasmem! Legalmente criada pelo Conselho Federal de Odontologia e prestes a ser regulamentada pelo Conselho Nacional). Vemos aí dois erros graves: o primeiro é a palavra “dentário” inserida erroneamente na profissão; “dentário” relaciona-se a dente e tenho certeza que a profissão não está relacionada a dente; segundo, a expressão “atendente”, no sentido de “dar atenção à” quer dizer prestar serviço; servir, aviar. A profissão não serve ao consultório, e sim ao profissional. Porque não adequar a profissão para “APO – Auxiliar do Profissional da Odontologia” ou “ACD – Auxiliar do Cirurgião-Dentista”? Seria um profissional que auxiliaria o Cirurgião-Dentista em seu consultório, agendando consultas, preparando materiais, etc..."
Texto: Edival Toscano Varandas (João Pessoa - PB)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

BRUXISMO

"O Buxismo é um hábito parafuncional de ranger os dentes e constitui um dos mais difíceis desafios para a odontologia restauradora, sendo que a dificuldade para sua resolução aumenta de acordo com a gravidade do desgaste dentário produzido.

Fisiopatologicamente, o esmalte dentário é o primeiro a receber os prejuízos do Bruxismo, e o desgaste anormal dos dentes é o sinal mais freqüente da anomalia funcional. O padrão de desgaste dental do Bruxismo prolongado é, freqüentemente, não uniforme e mais severo nos dentes anteriores.
A
importância do Bruxismo ainda se deve à sua relação com a dor muscular da articulação temporomandibular e alguns tipos de cefaléia.

Pode ser definido como um hábito parafuncional que consiste em movimentos involuntários ritimados e espasmódicos de ranger ou apertar os dentes, ocorrendo normalmente durante o sono.
É importante destacar, para entendimento conceitual, que o Bruxismo não é necessariamente uma doença. Trata-se mais de uma disfunção. É perfeitamente possível que alguns portadores de Bruxismo não tenham maiores conseqüências para o sistema mastigatório. O aspecto mórbido ou doentio pode ser pensado quando este hábito funcional leva à algum prejuízo do sistema mastigatório ou desencadeia sintomas de desordens temporomandibulares, como por exemplo, a artrite temporo-mandibular (ATM).
O Bruxismo noturno pode ocorrer em praticamente todos os estágios do sono, sendo observado predominantemente no estágio II e virtualmente ausente nos estágios III e IV, mais profundos. Quando relacionado ao sono, o Bruxismo envolve movimentos rítmicos semelhantes ao da mastigação intecalados por longos períodos de contração dos músculos mandibulares. Essas contrações costumam ser fortes e até superar aquelas realizadas durante a mastigação normal consciente. Costumam durar o suficiente para produzir fadiga e dor muscular.
Incidência e Curso
Alguns trabalhos estimam entre 6 e 20% dos adultos e em torno de 14% das crianças a incidência do Bruxismo. Entretanto, sinais e sintomas de Bruxismo são observados entre 80% e 90% das populações estudadas, sugerindo que, ou essas pessoas apresentam Bruxismo inconscientemente ou já o tiveram. Parece ainda que o Bruxismo diminui com a progressão da idade, predominantemente depois dos 50 anos. Quanto à distribuição nos sexos, alguns autores encontraram uma maior frequência do Bruxismo em mulheres.
Causas (Etiologia)
As causas normalmente estariam relacionadas a fatores psicológicos, como tensão emocional, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo, frustrações e estresse. A frequência e a severidade do Bruxismo pode variar a cada noite, e parece estar altamente associado ao estresse emocional e físico.
Prognóstico e Conseqüências
Hábitos funcionais do tipo Bruxismo costumam levar ao desgaste dentário, má oclusão severa, trauma oclusal, fratura dentária e dores em determinados componentes do sistema mastigatório. O Bruxismo é considerado uma das causas das desordens temporomandibulares devido à possibilidade de desencadear dor ou disfunção na musculatura mastigatória e /ou articulação temporomandibular.
Tratamento
Atualmente a odontologia tem optado pela utilização de uma placa estabilizadora, de resina acrílica, que respeite os conceitos de máxima estabilidade mandibular em relação cêntrica e movimentos excêntricos harmoniosos através de guias específicas (protrusivas e caninas). A função da placa estabilizadora seria para proteger os dentes e demais componentes do sistema mastigatório durante as crises noturnas de Bruxismo. Além disso a placa ainda reduziria a atividade elétrica de músculos elevadores da mandíbula, como masseter e temporal, reduzindo assim a atividade tensional.
Entretanto, a colocação de placas constitui-se num tratamento, digamos, sintomático. O
ideal seria o tratamento dos estados tensionais, estressantes ou ansiosos que produzem o Bruxismo."

Para referir:Ballone GJ - Bruxismo, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://gballone.sites.uol.com.br/voce/bruxism.html> revisto em 2003

terça-feira, 27 de maio de 2008

Hábitos alimentares inadequados e falta de prevenção provocam cáries em bebês

Mamadeira ou leite materno durante a madrugada, assoprar comida e molhar a chupeta no açúcar são alguns dos costumes dos pais que refletem negativamente na saúde da criança nos primeiros anos de vida.
Por Scheilla Lisboa

"Se o bebê, com mais de um ano de idade, chora durante a madrugada, a primeira atitude dos pais é correr e dar a mamadeira ou amamentar no peito. Certo...? Errado. Ainda é muito forte na população alguns costumes como este que acabam por comprometer a saúde dos dentes dos bebês, gerando cáries e maus hábitos.
A consequência desta prática inadequada tem até nome: cárie tipo mamadeira, que é a cárie originada do hábito de dar leite à criança (mamadeira ou materno), durante a madrugada. "Após um ano a mamadeira ou amamentação no peito noturnas, devem ser retiradas, pois durante o dia a alimentação deve estar completa, satisfazendo as necessidades da criança", afirma a coordenadora da saúde da criança da Secretaria de Saúde de Vinhedo, Solange Salomão.
A cárie tipo mamadeira ocorre porque, à noite, existe uma diminuição da salivação e, também, a criança engole menos, o que favorece a retenção do alimento junto ao dente. Assim, a bactéria da cárie (Estreptococos mutans) encontra o ambiente propício.
A saliva é importante, pois é responsável pela lubrificação da boca e dos dentes, além de intervir significativamente no processo de geração da cárie.
Mas, não é só a alimentação que determina a cárie, outros costumes do dia a dia também interferem; cabem aos pais prestar atenção e se reeducarem. "A cárie é uma doença contagiosa, assim, o adulto, sendo portador da bactéria, deve evitar beijar a boca da criança, assoprar a comida, utilizar os mesmos talheres e copos e limpar a chupeta com a própria boca", orienta a pediatra.
Outra informação incorreta que passa de geração para geração é a imposição da chupeta a qualquer momento e de adoçá-la para a criança dormir melhor. "Estas atitudes reforçam o vício da chupeta que pode acarretar alterações dentárias, como mordida aberta e alterações de fala, além do que a presença do açúcar facilita a ação da bactéria sob o dente desenvolvendo a cárie", explica Solange, que afirma que o ideal é que se evite o uso da chupeta.
Engana-se, também, quem não dá a devida importância ao dente de leite, já que ele será substituído pelos permanentes. "A saúde do dente de leite determina a saúde do dente permanente. Se a higiene é inadequada, existe o costume do leite noturno, o uso excessivo de açúcar e a alimentação não tem uma fonte de cálcio adequada, quando surgir o dente permanente o organismo vai sofrer os mesmos riscos do dente de leite devido aos hábitos errados", explica a pediatra.
Amamentação Noturna Possibilidade de adquirir cárie
1º ano de vida - 9%
24 meses de idade - 110%
36 meses de idade - 270%
Fonte: Bebê Clínica

As cáries originadas de aleitamento materno exclusivo são menos graves que as causadas pelo uso da mamadeira e outros hábitos alimentares. Mas, a associação de aleitamento materno e mamadeira noturna, representa 80% de possibilidade de gerar cárie dentária.
Receitas
Sopinha de Abóbora com Espinafre
Creme de mandioquinha com carne
Suco de Beterraba com laranja
Papa de caldo de feijão, ovo e abobrinha
Alimentação Adequada
"Não há nenhuma restrição sobre o aleitamento materno ou a amamentação noturna quando o bebê é menor de 6 meses, ou desdentado; neste período o aleitamento deve ser irrestrito", aconselha a pediatra.
Porém, após a erupção dos primeiros dentes, este hábito noturno deve começar a ser controlado, para que o desmame ocorra por volta de 12 meses de idade, onde os dentes incisivos já nasceram e a criança inicia a fase de mastigação. A pediatra afirma que "o controle da amamentação noturna é uma das medidas mais eficazes para a prevenção de cárie na primeira infância".
Se realmente a criança reclamar de fome, durante a madrugada, após um ano de idade, a dica é "dar a mamadeira e fazer a higiene, mesmo com a criança dormindo, até que este hábito seja eliminado o mais rápido possível".
Se a criança mama no peito, este deve ser exclusivo até os 6 meses de idade. Após este período a introdução de novos alimentos é avaliada pelo ganho de peso, diminuição do intervalo de mamadas, choro, fome excessiva, intestino preso, diminuição da urina, além da motivação e necessidade da mãe em voltar ao trabalho.
Se a criança é alimentada com leite de vaca, que é uma contra indicação ao leite materno, a introdução de alimentos começa no 2º mês.
Nos primeiros meses de vida, o leite, os sucos e papas devem ser oferecidos à criança segurando-a no colo. "O momento das refeições deve ser agradável tanto para a criança como para a mãe", afirma Solange.
Os sucos, papas de frutas e as salgadas artificiais são desaconselháveis. "Estes tipos de alimentos podem desencadear quadro alérgico, além de não terem fibras e custarem caro", afirma a pediatra.

Alimentação do Bebê - Leite Materno

1 mês - Leite Materno Exclusivo (Chupeta, chá, água podem confundir o bebê e atrapalhar a amamentação)

2 meses - Leite Materno Exclusivo (Funciona como vacina, protegendo o bebê de infecções - pneumonias e diarréias).

3 meses - Leite Materno Exclusivo (é o alimento mais completo, possui todas as vitaminas e gorduras necessárias)

4 meses - Leite Materno e suco de frutas e legumes

5 meses - Leite Materno, suco de manhã, papa de frutas de tarde e gema de ovo cozida.

6 meses - Leite Materno, suco, papa de legumes no almoço e papa de frutas.

7 meses - Leite Materno, suco, papa de legumes, frutas e papa de legumes.

1 ano - Incentive a mastigação, evite amassar muito ou bater no liquidificador os alimentos.

1 ano e meio - Evite salgadinhos, bolachas, iogurtes fora do horário das refeições.
Introdução de novos alimentos
- deve ser feita sempre de forma gradual;
- oferecer um a um os novos alimentos, com intervalos semanais;
- observar alteração no hábito intestinal, presença de cólicas, dermatites ou manifestações de caráter alérgico;
- na presença de alguma intolerância ao novo alimento, suspender temporariamente e voltar a oferecê-lo após algumas semanas em quantidade menor;
Suco de frutas - Para crianças que mamam no peito o suco de frutas deve ser introduzido entre 4 e 6 meses e no 3º mês para as que mamam na mamadeira. "Não se deve adicionar açúcar no suco e ele deve ser dado ao bebê logo após ser feito, para evitar a perda de vitamina C; no frio, não se deve aquecer o suco, também por causa da vitamina C", ressalta a pediatra.
Gema de ovo - Quando se introduz qualquer outro tipo de alimento na dieta de uma criança amamentada ao seio, há diminuição da absorção do ferro da dieta. Tanto o leite materno como o leite de vaca contém pouco ferro; mas, o aproveitamento do ferro do leite materno é alto, 50%.
Assim, recomenda-se dar alimentos ricos em ferro mais precocemente às crianças em aleitamento artificial ou misto (4 a 5meses). "A introdução da gema de ovo em pequenas quantidades é recomendada para aumentar a oferta de ferro, gordura e proteínas", explica a pediatra. A gema deve ser servida sempre muito bem cozida e pode ser dada com pequena quantidade de sucos ricos em vitamina C, antes da mamada ou da refeição de sal.
Refeições de sal - A sopa tem maior importância como fonte de ferro, sais minerais e fibras, assim, deve conter carne - magra, de vaca ou frango - verduras, cereais e leguminosas. "As carnes de segunda como músculo e coração têm o mesmo teor protéico que as carnes de primeira", sugere a pediatra.
A sopa deve ser peneirada e não batida no liquidificador, pois "além de conservar as fibras, ainda facilita a aceitação de alimentos cada vez mais consistentes" . Quando a sopa é recusada as dicas são: aumentar o intervalo anterior, diminuir o teor de sal, usar hortaliças adocicadas e de sabor pouco acentuado ou, ainda, adicionar pequena quantidade de leite.
Outras introduções
por volta dos 7 meses:
- com o surgimento dos primeiros dentes e a capacidade da criança de permanecer sentada e pegar os alimentos e levá-los à boca, as refeições devem ser feitas com a criança sentada em cadeirinhas apropriadas;
- alimentos sólidos em pedaços para a criança comer sozinha: pão amolecido; bolachas; frutas, carne cozida ou bife.
- queijo branco, ricota, queijo minas e requeijão.
aos 9 meses:
- oferecer líquidos em canecas ou copos com bordas grossas e, de preferência com tampa; copos com canudinho. Iniciar retirada gradual da mamadeira.
aos 10 meses:
- clara de ovo
após primeiro ano de vida:
- frutos do mar, morango e abacaxi
Para estimular a criança a comer melhor
- cardápios coloridos
- alimentos preferidos pela criança
- explicar a importância da alimentação
- variar o modo de preparo dos alimentos
- insistir com as novidades
Limpeza e escovação
"O cuidado com os dentes deve começar mesmo antes do bebê nascer. Como a escovação é uma questão educacional é interessante que a gestante, vá ao dentista durante a gravidez, cuide dos dentes e receba orientação de como proceder com o bebê", sugere o cirurgião dentista Lauro Delgado Junior. Vale ressaltar que a criança segue o exemplo da família, incorporando os hábitos adequados ou não.
De acordo com as normas da American Dental Association (ADA, 1981), a limpeza do dente pode começar antes da erupção. Esta medida além de tornar a gengiva mais limpa, ainda acostuma o bebê à manipulação da boca.
"A limpeza deve ser feita com gaze e água para retirar o excesso de leite", explica o cirugião dentista. A limpeza começa efetivamente com o surgimento dos primeiros dentes, dando especial atenção, à noite, após a última mamada. "Quando aparece o primeiro dente, usa-se gaze com um pouco de água oxigenada de 10 volumes", ensina Delgado. Outra opção é a escova própria para o bebê, que o adulto adapta no dedo, semelhante a uma dedeira de silicone.
Essa limpeza deve seguir até os 18 meses, ou até quando os primeiros molares aparecerem, quando deve-se iniciar a escovação. Porém, desta idade até cerca de 6 anos, a criança não tem coordenação motora para realizar uma higiene bucal eficiente, necessitando da ajuda de um adulto.
"A criança deve ser estimulada a criar o hábito de escovar o dente e passar o fio dental sempre após as refeições", afirma o dentista. "Existem muitas escovas de bichinho e coloridas, além de pastas especiais, com diversos gostos que ajudam os pais a incentivarem a escovação", conclui Delgado."
Fonte: Pediatria na atenção primária (Hugo Issler, Cláudio Leone, Eduardo Marcondes
Livro: Odontologia para Bebês
Autor: Luiz Reinaldo Figueiredo Walter (Universidade Federal de Londrina)

O que são Cáries de Mamadeira?

"O melhor tratamento para as cáries de mamadeira é a prevenção, tendo em vista a dificuldade de tratar crianças em idades inferiores a 4 anos.
A prevenção deve ser feita através da higienização da boca da criança desde o nascimento do primeiro dentinho. A higienização deve ser feita com o uso de gazes (preferencialmente estéreis) e água (filtrada ou mineral).
Toda hora após a amamentação deve-se fazer a limpeza da boca da criança com a gaze úmida. O acompanhamento pelo dentista pediatra também ajuda a prevenir tais patologias , e este deve ser feito o mais cedo o possível.
Após a cárie de mamadeira ter se instalado, ela geralmente apresenta um curso acelerado e doloroso para a criança.
Esta rapidez com que este tipo de cárie se instala e progride é resultado da não higienização da boca da criança e do surgimento dos primeiros dentes, que acabam alterando física, química e bioquimicamente o meio bucal.
Com o surgimento dos dentes as bactérias que têm capacidade de aderência ao esmalte dental, começam a proliferar; a mudança dos microorganismos presentes na cavidade oral e a maior dificuldade de limpeza por parte dos mecanismos naturais de limpeza (língua, saliva, etc) devido a erupção dos dentes; e outros fatores levam a uma série de reações (dentre elas mudança do PH oral), que contribuem para que esta doença se manifeste de forma tão agressiva.
Os mecanismos desta doença são complexos, mais o importante é saber o que foi escrito. Com relação ao tratamento, realmente existe e tem que ser feito o quanto antes , para alívio do sofrimento da criança, antes que esta comece a emagrecer, desanimar, chorar ( sem motivo aparente), etc..
O primeiro passo é procurar um dentista (odontopediatra, generalista que esteja habituado a lidar com crianças) ou uma faculdade mais próxima.
Depois o dentista vai examinar o caso e se constatado que se trata realmente desta patologia, ele dará seqüência com o procedimento mais adequada, que pode variar da adequação do meio e posterior restauração (diminuindo a carga de contaminantes, aumentando o PH intra-oral, tirando a criança da fase aguda da doença, diminuindo a sensibilidade dolorosa, etc.), esta etapa é feita através da aplicação de substâncias como flúor, clorexidina e outras e da restauração provisória dos dentes com material do tipo ionômero de vidro (pela sua facilidade de execução e capacidade de receber recarga e liberar flúor).
O tratamento é complexo e demorado, no entanto a parte mais difícil é com relação à própria criança (que geralmente não colabora, devido à idade) e à sintomatologia que a criança esta passando, pois se é difícil para o dentista fazer o tratamento em uma criança saudável, imagine em uma criança que está com dor.
Por isso devemos procurar um bom profissional, que esteja qualificado para dar seqüência ao tratamento. Em casos extremos de não aceitação por parte da criança, podemos levá-la a um centro cirúrgico e fazermos o tratamento sob anestesia geral.
O primeiro passo é ficarmos calmos e levarmos a criança o mais rápido possível para o dentista. Pois a demora pode levar a criança a quadro de abcessos e infecções graves que podem levar o paciente a óbito, se não corretamente tratados."
Não é para assustar, porém com cárie e outros quadros infecciosos não se brinca.
Marcelo Silva Monnazzi é Cirurgião Dentista graduado pela Universidade Sagrado Coração - Bauru - SP. Residente na área de cirurgia buco-maxilo facial pela Unesp Araraquara.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Antes de discutir o papel da dieta, é importante definir certos termos. Dieta se refere à ingestão de alimentos e bebidas realizada por qualquer pessoa diariamente. Conseqüentemente, a dieta pode exercer um efeito local na boca, causando a carie através da sua reação com a superfície do esmalte e servindo como substrato para os microorganismos cariogênicos. Nutrição diz respeito à assimilação dos alimentos e o seu efeito sobre os processos metabólicos do organismo.

Nutrição e dieta

Sua influencia na dentição

A dieta ocupa uma posição central no desenvolvimento da cárie, pois o diário e freqüente consumo de carboidratos alcança a cariogenicidade, ou seja, indivíduo com grande susceptibilidade à doença cárie, tendo efeitos locais (metabolismo da placa – produção de ácidos, que associados a queda do pH causam a cárie) e efeitos sistêmicos. A nutrição trata de elementos participantes da dieta e metabolizados no organismo.

É importante lembrar que os gens, também determinam a pré-disposição do homem a adquirir a doença cárie. Ou seja: pais com grande incidência de cárie, doença periodontal e etc, que não se preocupam em deter os processos destrutivos das doenças, não se previnem e não cuidam, tem uma maior probabilidade de transmitirem isso através do gens para seus filhos. Portanto, geneticamente falando, essa pré disposição as doenças da cavidade bucal, são transmissíveis.

O dente recém erupcionado é mais poroso e mais susceptível a cárie. É importante que a dieta seja controlada e os acompanhamentos pelo dentista sejam feitos num menor intervalo de tempo, para que ocorra uma adequada maturação pós eruptiva, ou seja, para que o dente adquira uma resistência, após irromper na cavidade bucal. Fase de crescimento, estágio de maturação, atividades físicas, eficiência da absorção e uso dos alimentos, devem ser considerados diante das necessidades nutricionais, tanto para a criança como para o jovem e o adulto.

O crescimento da criança passa por 4 fases importantes a serem analisadas: Crescimento inicial, muito rápido, crescimento uniforme é mais lento (idade pr escolar), crescimento acelerado (adolescente), declínio de crescimento até parar (idade adulta). As necessidades energéticas do lactante devem ser avaliadas através de: verificação do peso, crescimento da criança estado geral do bem estar, orientação individualizada da dieta, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança. Assim algumas regras devem ser seguidas para a alimentação no primeiro ano de vida:
- 0 a 6 meses: aleitamento materno;
- 6 a 7 meses: leite materno, 1 refeição de sal, 1 papa de fruta, 2 sucos de frutas;
- 7 a 8 meses: leite materno: 2 refeições de sal, 2 papas de frutas, 2 sucos de frutas;
- 8 a 12 meses: leite materno, 2 refeições de sal, 2 sobremesas, 2 sucos de frutas
O leite possui um potencial cariogênico devido a presença de lactose, esta se encontra em maior quantidade no leite materno que no bovino. O leite possui carboidratos, enzimas bacterianas e lactose. Por esse e demais motivos, que a higiene bucal deve ter inicio na vida criança antes dos primeiros dentes apontarem na cavidade bucal. Criando assim um ambiente para a microflora bucal isento de microorganismos causadores da cárie, doença periodontal, etc, principalmente o Streptococcus mutans, ou pelo menos, um ambiente desfavorável para a proliferação e atuação dos mesmos.

As frutas frescas e verduras cruas são chamadas de alimentos detergentes. A refinação dos alimentos os torna potenciais causadores de cárie. Daí que surge a importância da higiene bucal, principalmente após as refeições. Os alimentos não são cariogênicos, mas podem se tornar através de uma interação complexa da: composição dos alimentos, padrão de consumo, flora bacteriana da placa, tempo que permanece na cavidade oral.

Os sucos e as bebidas de frutas apresentam maior acidez que os refrigerantes, porém são capazes de induzir queda do pH, favorecendo a produção de ácidos pelos microorganismos que oriundos de suas associações são causadores da cárie.

As modificações nos hábitos alimentares devem enfatizar: uma freqüência menor; redução de açúcar, uso de substratos do açúcar, evitar produtos com alto teor de açúcar e que fiquem retidos na boca.
Aconselhamento dietético:
  1. Análise nutricional;
  2. Sugestões para correção dos problemas devem ser aceitas;
  3. Modificação deve ser gradual;
  4. Freqüência é mais prejudicial que a quantidade;
  5. Dieta é importante fator da cárie;
  6. Aprender que tipo de alimento ingerir, quando e onde modificar;
  7. Açúcar ingerido ácido na placa por 20 a 30 minutos;
  8. Alimentos cariogênicos devem ser consumidos junto com as refeições;
  9. Usar substitutos do açúcar;
  10. Combinar um dia para o consumo de doces (sugestão aos fins de semana);
  11. Não dar líquidos durante as refeições.

Orientações que os pais devem transmitir a seus filhos, e praticar juntos em casa:

  • Motivar a criança a mastigar;
  • Fazer as refeições em horários regulares;
  • Fazer as refeições com a família;
  • Ambiente agradável;
  • Saborear a dieta;
  • Iluminação do ambiente;
  • Ruídos no ambiente – contra indicado;
  • Temperatura da dieta;
  • Situação corporal confortável;
  • Ritmo de administração adequado;
  • Variedade de alimentos – criatividade.


Pais atenção:

  • Com gastos de alimentos desnecessários;
  • Comprar alimentos de alta qualidade nutritiva;
  • Com a rotina diária alimentar;
  • Com o peso, postura, porte, estrutura e etc de sua família;
  • Alerta para: composicao forma e frequencia consumo alimentar de sua familia;
  • Ter consciencia da importancia da dieta como prevencao odontologica na sua vida e de sua familia;
  • Entender a relacao da nutricao com a saude bucal.





Nutrição, dieta e cárie

"NUTRIÇÃO, DIETA E CÁRIE

-NUTRIÇÃO: OS EFEITOS NUTRICIONAIS SÃO MEDIADOS SISTEMICAMENTE E RESULTAM DA ABSORÇÃO E CIRCULAÇÃO DE NUTRIENTES EM TODOS OS TECIDOS RELACIONANDO-SE COM O EQUILÍBRIO ENERGÉTICO

-NUTRIÇÃO: OS EFEITOS SISTÊMICOS PODEM INFLUENCIAR OS DENTES DURANTE O PERÍODO FORMATIVO (ODONTOGÊNESE), BEM COMO A QUANTIDADE E QUALIDADE DO FLUXO SALIVAR, AUMENTANDO OU DIMINUINDO A RESISTÊNCIA DO HOSPEDEIRO

-DIETA: A DIETA COMPREENDE TUDO O QUE É INGERIDO INDEPENDENTE DO VALOR NUTRICIONAL OU DO APROVEITAMENTO DO PROCESSO DIGESTIVO. DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A ALTERA A AMELOGÊNESE, DENTINOGÊNESE E FUNÇÃO IMUNOLÓGICA E AINDA REDUZ A SÍNTESE DE GLICOPROTEÍNAS SALIVARES ESPECÍFICAS PARA A AGLUTINAÇÃO DE BACTÉRIAS

-DIETA: -HÁ INÚMEROS ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS LIGANDO O CONSUMO DE SACAROSE A PREVALÊNCIA DE CÁRIE

-EFEITOS LOCAIS PÓS ERUPTIVOS: MATURAÇÃO, REMINERALIZAÇÃO, DESMINERALIZAÇÃO, FORMAÇÃO DE PLACA, METABOLISMO E COLONIZAÇÃO BACTERIANOS

-A INFLUÊNCIA NUTRICIONAL É PEQUENA

-APENAS A DIETA, SOB INFLUÊNCIA DAS PROPRIEDADES FÍSICAS E QUÍMICAS DOS ALIMENTOS E A FISIOLOGIA SALIVAR TERÃO IMPORTÂNCIA LOCAL NA INSTALAÇÃO DA DOENÇA CÁRIE

-DISTÚRBIOS NUTRICIONAIS COMO DEFICIÊNCIA DE CÁLCIO, FÓSFORO, VITAMINA A, C, D ASSIM COMO ALTERAÇÕES NO EQUILÍBRIO PROTEICO-ENERGÉTICO AFETAM A FORMAÇÃO DOS TECIDOS DENTÁRIOS

-A VITAMINA D MELHORA A ABSORÇÃO DO CÁLCIO A NÍVEL INTESTINAL, PELO AUMENTO DA SÍNTESE DE PROTEÍNAS LIGADORAS DE CÁLCIO. DEFICIÊNCIAS DO METABOLISMO DO CÁLCIO POR SUA VEZ PODEM PROVOCAR HIPOPLASIAS DO ESMALTE.


ALIMENTOS, COMPOSIÇÃO E CARIOGENICIDADE

O AMIDO

DIETA HUMANA (BATATA, MANDIOCA E GRÃOS)

-ISOLADAMENTE PODE PROVOCAR PEQUENO DECRÉSCIMO NO pH DA PLACA;

-AMIDO ASSOCIADO COM SACAROSE (CEREAIS MATINAIS, BISCOITOS, SALGADINHOS DE MILHO) SÃO TÃO CARIOGÊNICOS OU MAIS QUE A SACAROSE CARBOIDRATOS NA DIETA
TEMPO DE ELIMINAÇÃO DOS CARBOIDRATOS;


O TEMPO DE DESAPARECIMENTO DOS AÇÚCARES PODE SER PROLONGADO POR DIVERSOS FATORES, DENTRE ELES, O FLUXO SALIVAR REDUZIDO, CAVIDADES DE CÁRIE, RESTAURAÇÕES DEFEITUOSAS, APARELHOS ORTODÔNTICOS E PRÓTESES QUE AUMENTAM O TEMPO DE CONTATO DO ALIMENTO COM A SUPERFÍCIE DENTÁRIA
CARBOIDRATOS DAS FRUTAS, VEGETAIS E BEBIDAS TEM UM TEMPO DE ELIMINÇÃO DE APROXIMADAMENTTE 5 ' . CHICLETES, BOMBONS, BALAS,CHOCOLATES EM GERAL E BISCOITOS TEM UM TEMPO DE ELIMINAÇÃO DE ATÉ 40'.

MEDIDAS PARA DIMINUIR O TEMPO DE ELIMINAÇÃO DOS CARBOIDRATOS

-ESCOVAÇÃO LOGO APÓS AS REFEIÇÕES

-USO DE GOMA DE MASCAR SEM AÇÚCAR, VEGETAIS CRUS E ALIMENTOS FIBROSOS PROMOVEM A ESTIMULAÇÃO FÍSICA DO FLUXO SALIVAR
-CONSUMO DE ALIMENTOS PROTETORES.

ATENÇÃO!

O MEL É ALTAMENTE CARIOGÊNICO!

HÁ DOIS GRUPOS DE ADOÇANTES:

CALÓRICOS (XILITOL,SORBITOL E MANITOL )

NÃO CALÓRICOS (ESTEVIOSÍDEOS,SACARINA,ASPARTAME,CICLAMATO)
DIÁRIO ALIMENTAR:

O PACIENTE REGISTRA TUDO O QUE FOI CONSUMIDO DURANTE UM PERÍODO DE TRÊS A SETE DIAS.

ACONSELHAMENTO DIETÉTICO

A ORIENTAÇÃO ALIMENTAR DEVE BASEAR-SE NO DIÁRIO DIETÉTICO, NOS HÁBITOS ALIMENTARES E NAS POSSIBILIDADES ECONÔMICAS DO PACIENTE
É RECOMENDÁVEL QUE O INDIVÍDUO FAÇA 3 REFEIÇÕES PRINCIPAIS E DOIS LANCHES POR DIA


PRINCÍPIOS BÁSICOS

1-COMEÇAR COM O HISTÓRICO DA DIETA DO PACIENTE
2-SUGEIRIR MODIFICAÇÕES NAS REFEIÇÕES PRINICPAIS DE MODO A EVITAR A NECESSIDADE DE COMER ENTRE AS MESMAS
3-DAR RECOMENDAÇÕES RAZOÁVEIS E REALISTAS
4-ELIMINAR ALIMENTOS A BASE DE SACAROSE ENTRE AS REFEIÇÕES. ATENÇÃO PARA AÇÚCAR OCULTO

A META MAIS IMPORTANTE DA ODONTOLOGIA PREVENTIVA É REDUZIR O CONSUMO DE PRODUTOS DOCES AO MÍNIMO POSSÍVEL, INCLUINDO OS ASPECTOS DE AVALIAÇÃO E ORIENTAÇÃO DIETÉTICA

TENDÊNCIA PARA O ENFOQUE DOS FATORES DE RISCO COMUNS:

DIABETES

OBESIDADE

HIPERTENSÃO

CÁRIE

CÂNCER "

domingo, 4 de maio de 2008

A importância do clima organizacional em clínicas odontológicas

"Embora poucos profissionais do setor odontológico despendam a devida atenção para esse tema, trata-se de um dos grandes problemas encontrados durante o diagnóstico de consultoria realizado em clínicas odontológicas.Nos tempos atuais, secretárias e recepcionistas de clínicas funcionam como uma espécie de elo entre o mercado e a imagem da clínica, ou seja, sua marca. Essas profissionais são tão importantes e possuem tanto poder de enaltecer ou prejudicar a imagem de uma clínica, que merecem uma atenção bastante especial quanto à forma com que vem atendendo e sendo atendidas dentro da organização.Todo processo de venda dentro do setor odontológico, está diretamente ligado à secretária ou recepcionista, pois é ela quem realiza o primeiro contato com o cliente, que o recepciona quando presente, que fornece informações sobre o dentista, sobre o tratamento, sobre as condições de biossegurança, enfim, ela detém e pode fornecer todos os subsídios necessários para o cliente fechar ou não um investimento de tratamento.Desta forma é necessário que o clima organizacional esteja em perfeitas condições, ou seja, que a secretária e/ou recepcionista entenda a sua importância dentro do contexto da clínica. Para isso é necessário investir em treinamento e acompanhamento de suas atividades, sempre que puder ouvindo suas queixas, sugestões e orientando-a para soluções possíveis dentro da realidade da clínica.Ao contrário do que muitos pensam, políticas salariais não são o maior problema no que tange à satisfação das secretárias, pois muitas vezes a mudança no comportamento e a gerência da clínica podem influenciar positivamente no rendimento da profissional.O que na maioria das vezes ocorre, é a falta de padronização e o direcionamento correto dos deveres, direitos e obrigações da secretária. Feito isso de maneira correta e sensata, evita-se problemas com a perda de investimentos em tratamento, clima pesado, desentendimentos internos e até mesmo ações judiciais que podem comprometer a estrutura e imagem de uma clínica."
Artigo publicado por Dennis Carvalho – Consultor de Marketing (Sócio Proprietário da Market House)